Quem é Renan Santos? Conheça o fundador do MBL e presidente do Partido Missão

Quem é Renan Santos? Conheça a trajetória do fundador do MBL, presidente do Partido Missão e candidato à Presidência em 2026, sua participação no impeachment de Dilma, a criação do Missão e as principais propostas do Livro Amarelo.

8/20/20266 min ler

Quem é Renan Santos?

Renan Santos passou mais de uma década atuando principalmente nos bastidores da política brasileira. Foi um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL), participou da organização das grandes manifestações contra o governo Dilma Rousseff, ajudou a estruturar a expansão eleitoral do movimento e, anos depois, liderou um projeto ainda mais ambicioso: transformar o grupo político em um partido próprio. Hoje, Renan Antônio Ferreira dos Santos é presidente nacional do Partido Missão e candidato à Presidência da República nas eleições de 2026. O Tribunal Superior Eleitoral registra o Missão, número 14, desde 4 de novembro de 2025, tendo Renan como presidente nacional.

Mas para entender quem é Renan Santos e por que seu nome passou a aparecer com cada vez mais frequência no debate político nacional, é necessário voltar mais de uma década. Sua trajetória ajuda a contar também a história do MBL, da reorganização de uma parcela da direita brasileira após as manifestações da década de 2010 e, mais recentemente, da criação de uma nova legenda que pretende disputar espaço tanto com a esquerda quanto com o bolsonarismo.

Renan Antônio Ferreira dos Santos nasceu em 14 de fevereiro de 1984, em São Paulo, e foi criado na Mooca, tradicional bairro da capital paulista. Estudou Direito na Universidade de São Paulo (USP), mas não concluiu a graduação. Foi justamente durante sua passagem pela Faculdade de Direito que começou a se envolver de forma mais intensa com política estudantil. Posteriormente, deixou o curso e passou a trabalhar na iniciativa privada.

Durante muitos anos, entretanto, Renan ficou menos conhecido pelo grande público do que outras figuras ligadas ao MBL, como Kim Kataguiri. Isso aconteceu porque sua atuação esteve fortemente ligada à estratégia, organização política, comunicação e formação do movimento, embora posteriormente ele também tenha aumentado significativamente sua presença nas redes sociais.

Atualmente, o próprio MBL apresenta Renan como fundador do movimento e presidente do Partido Missão. A página oficial de porta-vozes do grupo também registra uma audiência digital superior a 2 milhões de seguidores para Renan.

Renan Santos e a criação do MBL

Um dos principais marcos da trajetória política de Renan Santos ocorreu em 2014, com a criação do Movimento Brasil Livre.

Segundo a linha do tempo oficial do próprio MBL, Renan Santos esteve entre os fundadores do movimento ao lado de Kim Kataguiri, Alexandre Santos, Rafael Rizzo e outros integrantes. Ainda naquele período, o grupo começou a utilizar intensamente as redes sociais e mobilizações de rua como ferramentas de atuação política.

O crescimento foi rápido.

Em 2015, o MBL se tornou uma das organizações envolvidas na convocação das grandes manifestações contra o governo da então presidente Dilma Rousseff. Esses protestos reuniram diferentes movimentos, partidos, organizações civis e milhões de brasileiros insatisfeitos com o governo.

Foi nesse período que o nome de Renan Santos passou a ganhar projeção nacional como um dos principais articuladores do movimento.

A Marcha pela Liberdade e o impeachment de Dilma Rousseff

Entre os episódios mais simbólicos daquela fase está a chamada Marcha pela Liberdade.

Em abril de 2015, integrantes do MBL saíram de São Paulo em direção a Brasília defendendo o impeachment de Dilma Rousseff. A caminhada atravessou mais de mil quilômetros e terminou na capital federal em maio daquele ano. A própria Folha de S.Paulo registrou, no início da marcha, que o trajeto planejado ultrapassaria mil quilômetros e tinha como objetivo levar a Brasília a defesa do impeachment.

Segundo a cronologia publicada pelo MBL, a mobilização percorreu cerca de 1.100 quilômetros.

É importante fazer uma distinção histórica: o impeachment de Dilma Rousseff não foi obra de um único movimento ou liderança. O processo envolveu manifestações populares, Congresso Nacional, partidos políticos, movimentos civis e instituições brasileiras. Ainda assim, o MBL esteve entre os grupos que ganharam maior projeção nas mobilizações favoráveis ao impeachment, e Renan Santos fazia parte da liderança responsável pela organização do movimento.

Em agosto de 2016, o Senado aprovou definitivamente o impeachment de Dilma. Para o MBL, aquele episódio representou a concretização de seu primeiro grande objetivo político.

Do movimento de rua para as eleições

Depois do impeachment, o MBL iniciou outra transformação: deixou de atuar apenas como movimento de pressão e passou a tentar construir influência dentro das instituições.

Nas eleições municipais de 2016 surgiram os primeiros candidatos ligados ao grupo. Em 2017, o movimento também participou politicamente da defesa da reforma trabalhista e do fim da contribuição sindical obrigatória, pautas que aparecem na própria cronologia institucional do MBL.

Em 2018 veio outro marco importante. Kim Kataguiri foi eleito deputado federal e Arthur do Val deputado estadual em São Paulo, ambos ligados ao movimento. O resultado mostrou que uma organização que havia crescido principalmente nas ruas e na internet também conseguia transformar influência digital em votos.

Esse processo continuaria nos anos seguintes e se tornaria fundamental para entender a estratégia de Renan Santos.

O rompimento com Bolsonaro e o “Nem Lula, nem Bolsonaro”

Outro momento importante para compreender a posição política atual de Renan ocorreu durante o governo Jair Bolsonaro.

Embora integrantes do MBL tenham participado do ambiente político que se formou à direita durante os anos anteriores, o movimento posteriormente se tornou oposição ao governo Bolsonaro. Em 2021, organizou manifestações defendendo seu impeachment e consolidou a posição resumida pelo slogan “Nem Lula, nem Bolsonaro”.

Essa ruptura se tornou uma das características centrais do posicionamento político posterior de Renan Santos: construir uma direita que se apresenta como adversária simultaneamente do petismo, do bolsonarismo e do chamado Centrão.

Essa estratégia também aparece em textos escritos pelo próprio Renan no Valete+, nos quais ele defende que eventuais alianças políticas do Missão devem estar condicionadas à adesão programática às propostas do partido, especialmente ao Livro Amarelo.

Formação de novos políticos: a Academia MBL

Em 2021, o movimento criou a Academia MBL, projeto destinado à formação de novos quadros políticos.

A iniciativa representa uma mudança importante na estratégia construída ao longo dos anos. Em vez de depender exclusivamente de personalidades que surgissem espontaneamente nas redes sociais, o movimento passou a criar mecanismos próprios de formação de militantes, comunicadores e futuros candidatos.

A cronologia oficial do MBL descreve a Academia justamente como uma iniciativa voltada à formação de novos líderes políticos alinhados aos valores do movimento.

Nos anos seguintes, candidatos e parlamentares oriundos desse processo passaram a ocupar espaços institucionais.

Da política para a disputa cultural: Revista Valete e Valete+

Outra característica do projeto liderado por Renan Santos foi a tentativa de construir não apenas uma organização eleitoral, mas também um ecossistema próprio de produção intelectual e comunicação.

Em 2023, o MBL lançou a Revista Valete. Em 2024, veio o Valete+, plataforma digital que reúne artigos, programas, análises e outros conteúdos. O grupo também estruturou uma editora e outros projetos culturais.

Essa estratégia aparece inclusive nas declarações do próprio Renan. Em artigo publicado no Valete+, ele descreveu a plataforma como parte de um ecossistema formado por aplicativo, rede social, revista, editora e eventos.

O objetivo declarado é disputar não somente eleições, mas também ideias, comunicação e formação política.

2023: nasce o projeto do Partido Missão

O passo mais importante dessa evolução aconteceu em 2023.

Durante o 8º Congresso do MBL, foi anunciado oficialmente o projeto de criação do Partido Missão. No mesmo período surgiu outro componente fundamental: o Livro Amarelo, projeto destinado a reunir diagnósticos e propostas para o Brasil.

No ano seguinte começou o processo de coleta das assinaturas necessárias para registrar a legenda na Justiça Eleitoral.

Criar um partido do zero no Brasil não é simples. A legislação exige apoio de eleitores distribuídos por diferentes estados e posterior validação pela Justiça Eleitoral. Por isso, a conclusão desse processo tornou-se um dos maiores marcos organizacionais da trajetória política de Renan e do grupo que fundou o MBL.

2025: o Partido Missão é oficialmente registrado pelo TSE

O momento decisivo aconteceu em 4 de novembro de 2025.

Naquela data, o Tribunal Superior Eleitoral aprovou por unanimidade o registro do estatuto e do órgão de direção nacional do Partido Missão. A legenda recebeu o número 14, e Renan Antônio Ferreira dos Santos passou a constar oficialmente no TSE como presidente nacional do partido.

Esse é provavelmente o maior marco institucional de sua trajetória até aqui.

Em pouco mais de uma década, o projeto percorreu o caminho de um movimento formado durante as mobilizações políticas de 2014 para uma organização com partido político próprio e candidatura à Presidência da República.

O site oficial do Missão apresenta Renan como seu presidente nacional e define o Livro Amarelo como o projeto político da legenda para o Brasil.

2026: Renan Santos candidato à Presidência

Em julho de 2026, o Partido Missão oficializou Renan Santos como candidato à Presidência da República, tendo Aroldo Medina como candidato a vice.

A campanha representa também uma novidade na trajetória pessoal de Renan: apesar de mais de dez anos atuando como dirigente e articulador político, 2026 é sua primeira disputa pessoal por um cargo eletivo nacional. A imprensa passou a acompanhar de perto o crescimento de sua presença digital, sua estratégia de viagens por municípios brasileiros e sua tentativa de ocupar um espaço próprio dentro da direita.

O primeiro grande ato da campanha presidencial ocorreu em 16 de agosto de 2026, no Largo São Francisco, em São Paulo, local escolhido pela ligação de Renan com a Faculdade de Direito da USP.

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