Como obter apoio financeiro para ações de divulgação científica e tecnológica em 2026
Aprenda como conseguir apoio financeiro para ações de divulgação científica e tecnológica no Brasil. Veja onde encontrar editais, como montar projetos, quais documentos enviar e como aumentar suas chances de aprovação.
Greguy Looban
4/9/20266 min ler


Guia completo para conseguir recursos para eventos, revistas, projetos, feiras, oficinas e iniciativas de popularização da ciência
A ciência brasileira tem um problema silencioso: muita pesquisa é produzida, mas pouca pesquisa é realmente compreendida fora dos muros da universidade.
Teses ficam esquecidas. Artigos são publicados, mas não circulam. Resultados importantes morrem em PDFs. E, no fim, boa parte da sociedade sequer percebe o impacto real do que é produzido dentro da academia.
É exatamente por isso que a divulgação científica e tecnológica deixou de ser um “plus” e passou a ser uma necessidade estratégica.
A boa notícia é que existem caminhos reais para conseguir apoio financeiro para esse tipo de ação no Brasil. A má notícia é que muita gente perde oportunidade porque não entende três coisas básicas:
onde encontrar os editais certos;
como enquadrar a proposta corretamente;
como escrever um projeto que pareça investimento — e não apenas boa intenção.
Se você quer captar recursos para eventos científicos, semanas acadêmicas, feiras, oficinas, revistas, podcasts, canais educativos, materiais didáticos, projetos de extensão, ações em escolas ou divulgação digital, este é o guia que você precisava.
O que é apoio financeiro para ações de divulgação científica e tecnológica?
Na prática, é o fomento destinado a iniciativas que levam a ciência e a tecnologia para públicos mais amplos, dentro ou fora da universidade.
O serviço oficial do Governo Federal sobre o tema informa que o objetivo é “promover e fomentar ações de divulgação científica e tecnológica”, com apoio financeiro voltado à editoração e publicação de periódicos, à promoção de eventos científicos e à participação de estudantes e pesquisadores em congressos e eventos nacionais e internacionais. O acesso costuma ser feito pela Plataforma Integrada Carlos Chagas, do CNPq (https://www.gov.br/pt-br/servicos/obter-apoio-financeiro-a-acoes-de-divulgacao-cientifica-e-tecnologica?utm_source=chatgpt.com).
Isso significa que o financiamento não se limita a grandes congressos. Dependendo do edital, ele pode alcançar:
semanas de ciência e tecnologia;
simpósios e seminários;
feiras de ciência;
oficinas em escolas;
materiais educativos;
revistas científicas;
ações de extensão;
eventos acadêmicos;
produção de conteúdo científico digital;
atividades de popularização da ciência.
Em resumo: se sua ação aproxima conhecimento científico da sociedade, ela pode ser enquadrável.
Quem pode solicitar esse tipo de apoio?
A resposta correta é: depende do edital.
Mas, de forma geral, os perfis mais comuns são:
pesquisadores vinculados a universidades ou institutos;
professores e orientadores;
estudantes (em muitos casos, com mediação institucional);
grupos de pesquisa;
programas de pós-graduação;
instituições de ensino e pesquisa;
centros de ciência, museus e núcleos de extensão;
revistas científicas e equipes editoriais;
entidades acadêmicas e associações científicas.
No serviço oficial do Gov.br, o público aparece de forma ampla como “estudantes e pesquisadores”, com a orientação de que o interessado cadastre antes seu currículo na Plataforma Lattes para então acessar a Plataforma Carlos Chagas e pleitear o auxílio.
Leitura estratégica:
Mesmo quando o edital parece “aberto”, normalmente ele exige algum nível de:
vínculo institucional;
currículo atualizado;
plano de trabalho;
anuência da instituição;
capacidade de execução comprovável.
Quais tipos de ações costumam receber financiamento?
Essa é a parte em que muita gente erra.
Muitos projetos são bons, mas são descritos de forma vaga. O edital não aprova “entusiasmo”. Ele aprova propostas com objeto claro.
1. Eventos científicos e tecnológicos
Exemplos:
congressos;
simpósios;
jornadas acadêmicas;
semanas científicas;
seminários;
ciclos de palestras;
encontros temáticos;
mostras e feiras de ciência.
Esse tipo de ação é clássico em chamadas de fomento, especialmente quando o evento demonstra impacto formativo, integração entre pesquisadores e difusão de conhecimento.
2. Editoração e fortalecimento de periódicos científicos
Exemplos:
apoio à publicação de revistas;
revisão técnica e linguística;
diagramação e normalização;
atribuição de DOI;
melhoria do fluxo editorial;
profissionalização da gestão da revista;
indexação e visibilidade científica.
Esse ponto é crucial para quem está em programas de pós-graduação ou atua em revistas institucionais.
3. Participação em eventos estratégicos
Exemplos:
apresentação de trabalho em congresso;
participação em seminários nacionais e internacionais;
mobilidade acadêmica vinculada à divulgação de resultados;
presença institucional em eventos relevantes para a área.
Esse tipo de apoio aparece tanto em chamadas específicas quanto em modalidades vinculadas a programas institucionais.
4. Projetos de popularização da ciência
Exemplos:
oficinas em escolas públicas;
mostras itinerantes;
museus e exposições científicas;
ações comunitárias;
atividades com jovens e educação básica;
alfabetização científica;
projetos em comunidades rurais, periféricas ou tradicionais.
Esse é o tipo de proposta que costuma ganhar força quando mostra impacto social concreto.
5. Divulgação científica digital
Exemplos:
podcasts científicos;
canais no YouTube;
séries de vídeos curtos;
newsletters científicas;
plataformas de conteúdo;
webinários;
divulgação científica em redes sociais;
materiais multimídia baseados em evidências.
Atenção: nem todo edital vai usar a expressão “divulgação científica digital”, mas muitos aceitam se você souber enquadrar como:
popularização da ciência;
difusão científica;
extensão universitária;
comunicação pública da ciência;
democratização do conhecimento.
Onde encontrar editais reais para conseguir financiamento?
Agora entramos na parte prática.
Se você não sabe onde procurar, você fica fora do jogo.
1. CNPq: o caminho mais tradicional e importante
O CNPq continua sendo uma das portas mais relevantes para quem busca apoio financeiro nessa área.
O próprio serviço oficial do Governo Federal informa que o fluxo básico é:
cadastrar-se na Plataforma Lattes;
acessar a Plataforma Carlos Chagas;
escolher o edital ou chamada compatível com seu projeto;
submeter a proposta;
acompanhar o resultado pela área de propostas e pedidos.
Links oficiais
Ponto crítico:
Sem Lattes atualizado, você já começa atrás.
A própria página institucional do CNPq destaca que o Currículo Lattes é padrão nacional e é indispensável e compulsório na análise de mérito e competência de pleitos de financiamento em ciência e tecnologia.
2. MCTI: chamadas temáticas e oportunidades estratégicas
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) frequentemente atua em parceria com o CNPq, especialmente em chamadas ligadas à Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT).
Um exemplo concreto: em 2025, o MCTI e o CNPq lançaram chamada pública para apoiar eventos e atividades de divulgação e popularização da ciência durante a 22ª SNCT.
Links oficiais
Leitura estratégica:
Quem acompanha a SNCT com antecedência costuma encontrar uma das melhores janelas de oportunidade para ações de divulgação científica no Brasil.
3. CAPES: apoio para eventos acadêmico-científicos
Muita gente esquece da CAPES, mas isso é erro.
A CAPES mantém o PAEP (Programa de Apoio a Eventos no País), que financia a realização de eventos acadêmico-científicos no Brasil, com foco na difusão do conhecimento, integração entre pesquisadores e formação de recursos humanos.
Quem pode solicitar?
Segundo a página oficial do serviço, podem solicitar instituições como:
instituições de ensino superior;
entidades de pesquisa científica e tecnológica;
fóruns de reitores e pró-reitores;
associações ou sociedades científicas;
signatários de acordos de cooperação científica e tecnológica vinculados ao SNPG.
Links oficiais
Conclusão prática:
Se sua proposta é um evento, ignorar a CAPES pode ser um erro estratégico grave.
4. Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs)
Se você espera apenas editais nacionais, está perdendo dinheiro.
As FAPs estaduais costumam ser:
mais acessíveis;
menos concorridas que chamadas nacionais;
mais alinhadas a demandas regionais;
mais abertas a projetos de impacto local.
Exemplos de FAPs:
FAPESP (SP)
FAPERJ (RJ)
FAPEMIG (MG)
FAPEAM (AM)
FAPERR (RR)
FAPESB (BA)
FAPEAL (AL)
FAPITEC/SE
e outras
Dica para Roraima (muito relevante no seu caso):
Se o projeto tiver impacto regional, conexão com escolas, fronteira, juventude, inovação local ou desenvolvimento territorial, as chances de aderência em editais estaduais ou institucionais podem ser maiores do que em chamadas nacionais genéricas.
5. Editais internos de universidades, institutos e pró-reitorias
Esse é o caminho mais subestimado — e muitas vezes o mais viável.
As instituições frequentemente publicam:
editais de extensão;
apoio a eventos;
apoio a revistas;
fortalecimento da pós-graduação;
ações de comunicação científica;
bolsas para projetos de divulgação;
incentivo à participação em eventos.
Se você está em universidade ou instituto:
Acompanhe, no mínimo:
Pró-Reitoria de Pesquisa;
Pró-Reitoria de Extensão;
Pró-Reitoria de Pós-Graduação;
Diretoria de Inovação;
Editora universitária;
Portal de editais da instituição.
Muita gente perde edital por puro descuido.
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